quarta-feira, 27 de maio de 2009

PRÉMIO NACIONAL TEKTÓNICA/OA’09 - SAMI



Centro de Visitantes da Gruta das Torres, localizado na freguesia da Criação Velha, na ilha do Pico, venceu o Prémio Nacional Tektónica 2009, promovido pela Ordem dos Arquitectos, pela sua “postura contemporânea na cuidada atenção ao lugar”.
Inaugurado em Maio de 2005, o Centro de Visitantes da Gruta das Torres é uma obra da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e o seu projecto tem a assinatura dos arquitectos Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira, da SAMI-arquitectos com sede em Setúbal.
Na sua decisão, tomada por unanimidade, o júri do concurso sublinha que a Ideia, Conceito e Poética Material do projecto premiado “reflectem uma postura contemporânea na cuidada atenção ao lugar, fundando neste as suas próprias lógicas”, adiantando ainda que a “economia de meios utilizados, seja no projecto em si, seja nos aspectos matéricos ou construtivos, reforça a sua condição de sustentabilidade, entendida de modo operativo e actual e não tão só como dispositivo técnico.”
“A serenidade proposta pela construção emergente prolonga à superfície o carácter poético do túnel de lava que serve e que em última análise a sustenta e justifica”, refere ainda a acta do júri, que reuniu dia 18 na Ordem dos Arquitectos.
O projecto premiado será apresentado pelos seus autores numa conferência de imprensa agendada para as 18 horas de hoje, no Auditório 1 do Centro de Reuniões da AIP/FIL, no Parque das Nações, em Lisboa.
Situada na freguesia da Criação Velha, concelho da Madalena do Pico, a uma altitude de 285 metros, a Gruta das Torres é o maior tubo lávico conhecido no País, com uma extensão de 5.150 metros.
Esta gruta, que apresenta actualmente um percurso visitável de 400 metros, teve a sua origem há cerca de 1.500 anos, em escoadas lávicas do tipo Pahoehoe, emitidas pelo Cabeço Bravo.
O seu Centro de Visitação é composto por um pequeno pátio exterior, onde o visitante poderá comprar o bilhete de entrada e aguardar a sua visita guiada à gruta numa sala de estar, antes de passar pelo Auditório, onde lhe é feito um pequeno “breefing” e entregue o material necessário à descida, constituído por capacetes e lanternas.

Parabéns a Inês e ao Miguel.

domingo, 24 de maio de 2009

AWM - Arrábida Word Music Festival


03 JULHO 2009

PALCO WORLD
Tinariwen
Tcheka

PALCO BLUES
Legendary Tiger Man

LOUNGE - CAFÉ DEL MAR(IBIZA)
DJ Café del Mar

04 JULHO 2009

PALCO WORLD
Sun Ra Arkestra
Mazgani

PALCO BLUES
Heavy Trash

LOUNGE - CAFÉ DEL MAR(IBIZA)
DJ Café del Mar


AWM 03 e 04 de Julho de 2009 no Castelo de São Filipe em Setúbal.

25 FESTROIA


A 25ª edição do Festroia este ano de 04 a 13 se Setembro de 2009 em Setúbal.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

PRAÇA DE TOUROS CARLOS RELVAS EM SETÚBAL



Para quando a remodelação da praça de touros Carlos Relvas em Setúbal, transformando-a num Pavilhão multi-usos ? ; a exemplo do que foi feito em Elvas, Évora e em Lisboa no Campo Pequeno.

Um espaço que faz falta em Setúbal.

MORREU JOÃO BÉNARD DA COSTA


João Bénard da Costa morreu ontem em Lisboa, aos 74 anos, vítima de cancro.

Excerto do discurso de João Bénard da Costa nas comemorações do 10 de Junho de 2007 em Setúbal, para recordar.


Trinta anos depois do início das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, sob o figurino de que actualmente se revestem, chega, finalmente, a hora e a vez de Setúbal ser palco delas. Se outras justiças não houvesse – e delas falarei mais adiante – justiça poética se cumpriria, pois que o maior poeta desta cidade – a sua figura permanentemente mais celebrada, pelo menos desde que António Feliciano de Castilho lhe promoveu, em 1865, as comemorações do centenário do nascimento – foi o primeiro ou dos primeiros a invocar em verso Camões: "Camões, grande Camões, quão semelhante / Acho teu fado ao meu, quando os cotejo! / Igual causa nos fez, perdendo o Tejo, / Arrostar c'o sacrílego gigante".

Bocage, pois que é dele que falo, não devia imaginar que, com esse célebre soneto em que de Camões disse: "Modelo meu tu és…", estava a inaugurar uma infindável série de poemas em louvor do Poeta de quem celebramos hoje o dia. Pois foi pela voz dele e da geração dele que se estabeleceu – cerca de duzentos anos depois da morte de Camões – a equívoca unanimidade que o proclamou e proclama o luso "Príncipe dos Poetas". Apesar dos que se precipitaram no século XVII para lhe roubar tudo: "as ideias, as palavras, as imagens / e também as metáforas, os temas, os motivos, / os símbolos, e a primazia / nas dores sofridas de uma língua nova" (estou a citar outro poeta nosso maior, Jorge de Sena, e o admirável poema "Camões dirige-se aos seus contemporâneos") a critica dominante no século XVIII ou esqueceu o poeta, ou verrinosamente o atacou, não reconhecendo essa língua nova. Foram os pré-românticos, como Bocage, ou, depois, os românticos, como Garrett, quem o recuperou, até na imagem mítica que o século XIX tanto alardeou.

Falei de "equivoca unanimidade". A expressão aplica-se por igual a Bocage, tantas vezes saudado como o nosso maior poeta depois de Camões. Mas se lhes demos – a um e a outro – tal assento etéreo, pouco mais lhes demos. Já um dia, num destes discursos, me perguntei e vos perguntei: onde estão as edições criticas de Camões? Para que parte da sua obra se fez fixação do texto? Que sabemos ao certo sobre a sua vida? Com quanta razão disse Sena – cito-o nova e gostamente – "que em matéria de Camões é um perigo dizer seja o que for"?

E em matéria de Bocage? Conhecem-se as anedotas, alguns poemas eróticos e é com lembrança delas e deles que encobrimos quase sempre com um sorriso cúmplice (ou malandreco ou pudibundo) as referências ao seu nome. Saberão alguns que, perto da morte, Bocage já se não comparava a Camões, mas a Aretino, o grande poeta renascentista italiano, cuja reputação libidinosa atravessou os séculos. Mas se ao menos Bocage tivesse sido estudado como Aretino o foi! Aquele que chamou aos prazeres seus sócios e seus tiranos, numa analogia deveras singular, não desapareceu "desfeito em vento", numa "cova escura", como profetizou, mas dissolveu-se na nossa ignorância, no contumaz desconhecimento ou desfiguração do nosso património e na insólita relação com a memória que aos portugueses mais parece faltar do que qualquer outro atributo, ou de que os portugueses menos curam do que de qualquer outro atributo.

Justiça poética, disse eu que se fazia ao comemorar o Dia de Camões na cidade de Bocage. E já nem falo no esquecidíssimo Vasco Mousinho de Quevedo, que Faria de Sousa também considerou, no século XVII, "o maior depois de Camões" e de quem se ignoram mesmo as datas de nascimento e morte. Lá o figuraram, no século XIX, aos pés de Camões, na estátua do Chiado, mas não conheço ninguém que tenha lido o seu Afonso Africano, à glória do rei que, sob a luz brilhante aqui de Túbal, partiu em 1458 à conquista de Alcácer Seguer. E estou a citar, mais uma vez, Bocage e o soneto que começa: "Apenas vi do dia a luz brilhante / Lá de Túbal no empório celebrado"

Mas outras justiças há, mais ou menos poéticas, de que importa falar nesta cidade de sol e de sal, que é também – convém usar e abusar de poetas neste dia – meu remorso, meu remorso de todos nós.

Se tem sido inúmeros os cantores das belezas naturais que a cercam (a Arrábida, Palmela, o Outão) em que Andersen, o dinamarquês dos contos e das maravilhas, dizia, da Quinta das Machadas dos O'Neill em que se hospedou em Portugal, ter encontrado o paraíso terreal, permanece, sobre tais arrobos, a seca síntese de Raul Proença ao escrever que esta "maravilha do décor, da moldura, fazem esquecer o pouco interesse que em si apresenta a cidade – que é um bairro antigo de Lisboa, entre laranjeiras, com o mesmo aspecto das casas, as mesmas ruas estreitas da Mouraria ou do Bairro Alto, e com uma ou outra praçazinha solitária e cheia de sol".

É certo que a cidade, apesar do vestidão dos seus horizontes, sempre se abrigou deles e é certo que é uma das cidades mais secretas de Portugal, no seu aparente enscancaramento. É certo que traços mais primitivos foram abatidos – ainda mais do que em Lisboa – por tremores de terra que parcialmente a destruíram em 1531, 1755 e 1858. É certo que não foi poupada nem pela invasão espanhola de 1580, nem pelos Filipes que não lhe perdoaram o apoio dado ao Prior do Crato, nem pelas invasões francesas, nem pelas guerras civis dos inícios do século XIX. É certo que não podemos imaginar o seu esplendor, quando o Sado chegava onde hoje fica a Avenida Luísa Todi, e holandeses acorreram à cidade em busca do mais precioso dos seus produtos: esse sal, dito o de mais puros cristais da Europa, que serviu de moeda de troca para um acordo com a Holanda, visando a recuperação das colónias de Africa, América e do que restava do Oriente. Sabe-se que, apenas em dez anos, entre 1680 e 1690, saíram de Setúbal 7500 navios carregados de sal para os Países Baixos.

"Toda a terra é retalhada do mar, com que juntamente vem a ser mar e terra, e os homens, a que podemos chamar marinhos e terrestres, tanto vivem em um elemento como no outro. As ruas por uma parte se andam e por outra se navegam, e tanto aparecem sobre os telhados os mastros e as bandeiras, como entre os mastros e as bandeiras, as torres (…). Em muitas partes toma o navio porto à porta do seu dono, amarrando-se a ela e deste modo vem a casa a ser a âncora do navio e o navio a metade da casa, de que igualmente usam".

O Padre António Vieira, que tanto usou o sal como metáfora – e, apesar de estar na cidade dele, me guardo prudentemente de citar o Sermão de Santo António aos Peixes ou o que sucede quando o sal não salga e a terra não se deixa salgar – descreveu da maneira que citei Amsterdam, em alusão aos holandeses, ou Setúbal, que ele bem conhecia e onde os holandeses tinham reencontrado uma cidade que, nas mesmas condições, reproduzia o mesmo aspecto? Duvida-se? Pois percorram a cidade velha com atenção (a atenção que não é costume dedicar-lhe) e ainda são várias as casas que, não fora o recurso aos diferentes materiais e métodos de construção, se podem confundir com casas de Amsterdam.~

Cidade secreta, disse eu. Secreta é-o no nascimento como cidade – dela não falam os nossos primeiros cronistas; secreta é a sua evolução entre o foral de D. Afonso II (1249), a lenda da Senhora da Água ou da Senhora Pequenina, a fundação da Casa do Corpo Santo (1340) e a construção das muralhas da vila, ao tempo de D. Afonso IV, para as quais o povo desta cidade se colectou com a primeira siza que houve em Portugal.

Mas só no século XV, Setúbal se tornou uma cidade que conta, com a casa Cabedo e o casamento de D. João II com D. Leonor de Lencastre, sua prima direita. Porque escolheu o Príncipe Perfeito Setúbal como cidade da sua predilecção? Como o seu pai o deixara "rei das estradas", para usar expressão do próprio, tantas as benesses que D. Afonso V dera às grandes casas nobres, para destruir esse poder que o ameaçava, nada melhor do que Setúbal que nenhuma grande família escolhera para residência.

E foi em Setúbal que aconteceu a "noite de muito grande terror e espanto", como Garcia de Resende se refere à noite de 23 de Agosto de 1484, em que D. João II assassinou por suas próprias mãos o primo e cunhado, o Duque de Viseu, e depois mandou chamar o irmão mais novo daquele, o futuro Rei D. Manuel, para que lhe beijasse a mão real junto ao cadáver do outro irmão da própria mulher.

Mas foi esse mesmo D. Manuel quem veio a dar a Setúbal, por foral de 1514, o título de Notável Vila, enquanto nela mandou edificar o seu mais célebre monumento: O Convento de Jesus.

O sangue também se lava com o sal. Nos séculos seguintes os iates do sal, como assim mesmo eram chamados, transportavam das marinhas para o centro da cidade a sua principal riqueza. Se o século XVIII é o século de Bocage, e de Luísa Todi, esses e outros vultos não nasceram na cidade por acaso, mas reflectem tanto uma riqueza comercial que atraíu à cidade banqueiros de Hamburgo (os Torlades) como nela fomentou a criação de academias, como essa chamada adequadamente Problemática, numa cidade que o foi e o continua a ser.

Mas Setúbal manteve-se cidade secreta, mesmo em épocas mais recentes. Talvez seja das cidades de Portugal a que tem mais para contar e da qual menos se conta.

Por isso, hoje, tão demoradamente me centrei nela. Este, como ser o dia do Poeta, é o dia das memórias e as memórias valem tanto mais quanto mais esquecidas se tornam. Nesta cidade, que viveu de conservantes, de conservas e de conservações, só a memória se não conservou. Salvaguardar o futuro? Mas o futuro só se salvaguarda quando se restituiu ao tempo o que cada tempo a seu tempo trouxe, verdade elementar mas verdade de que tão pouco curámos e curamos.


Setúbal, 10 de Junho de 2007

sexta-feira, 1 de maio de 2009

1 DE MAIO

DIA DO TRABALHADOR

Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América.
Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA . No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.
Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.
Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adopta o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países.Em Portugal, só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia.

domingo, 26 de abril de 2009

Hans Christian Andersen


A Visita a Setúbal

Na manhã do dia 8 de Julho, «com o céu azul-claro — nem na própria Serra de Sintra havia nuvens —», Andersen parte para Setúbal, onde irá passar um tempo na quinta de Carlos O'Neill. Durante a viagem anota a observação de que os passageiros, isto é, os portugueses, são graves e discretos «pouca impressão» dando «da vivacidade da gente do Sul». «O sol brilhava no céu claro e sobre as águas tranquilas. Em frente erguia-se Lisboa nas suas soberbas colinas, como uma monumental ampliação fotográfica».

Em Setúbal, instalado na «Quinta dos Bonecos», deleita-se com a vegetação variegada e luxuriante. «Que profusão de cores e variedade de flores ! Até mesmo das fendas dos muros, desabrochavam cravos e cactos que no Norte só poderiam ter sido criados em estufas». Mas o calor atormenta-o : «De dia, só se podia andar cá fora sob a sombra das árvores de espessa folhagem, ou se se queria ir a qualquer parte onde incidia o sol, havia que caminhar vagarosamente e a coberto dum guarda-sol branco».

Começa por visitar o convento de Brancanes, na proximidade, a que se seguem excursões a cavalo ao Castelo de Palmela e à Serra de S. Luís. A majestosa natureza era como «a nave duma igreja no mundo grandioso e estranho de Deus». Ao regressar, com a pele ardente do sol e os membros fatigados, mas maravilhado, Andersen repousa no frescor da noite e todo se entrega à beleza que o cerca. «Como é bela a noite, amena e refrescante / E as estrelas de grandeza e brilho tais». E recordando-se que em breve terá de voltar à sua Dinamarca, escreve estes «versinhos» no livro da família O’Neill :

«Lá no plano Norte verdejante,
Recordando todas as impressões vividas
Para Setúbal voará o pensamento distante
Para junto de todas as pessoas queridas».

A sua curiosidade de viajante continua a saciar-se em Setúbal. Vai ver os festejos de Santo António na cidade e, sensível e medroso, sofre com os estrondos das bombas, com a agitação do povo e com os solavancos da carruagem. «Estava inteiramente convencido que acabaria por quebrar uma perna ou um braço». Visita o edifício do Consulado de O'Neill, o Campo do Bonfim (?) onde «as boas madamas burguesas estavam sentadas, tranquilas e graves, nos bancos, os homens passeavam com mais vivacidade dum lado para o outro». Assiste a uma tourada no dia de São Pedro, vê a Igreja de Jesus e, por fim, faz uma receada e por duas vezes adiada excursão marítima à Arrábida e a Tróia e nela tanto o assustam as vagas que, com ressentimento, ouve o amigo O'Neill afirmar que «não tinha dado provas aí do sangue dinamarquês».

Ao regressar, lê nos jornais chegados as notícias da guerra distante na Áustria e na Alemanha. «Enquanto corria sangue e soavam gemidos de morte noutros países», — regista na Visita — a bênção da paz pairava maravilhosamente sobre Portugal, longe e afastado desses perigos. E eu sentia e gozava essa tranquilidade, essa beleza e essa paz». Pensa, porém, que é já tempo de volver à pátria, recordando-se do ditado de Kavamál «hóspede querido torna-se aborrecido, se por muito tempo fica sentado em casa alheia». Havia, passado um mês em Setúbal, o que, com cinco semanas na «Quinta do Pinheiro» em Lisboa, «era mais de metade do tempo que havia fixado para a estada em Portugal» e queria ainda ver Sintra e Coimbra.

Assim se despede dos amigos em Setúbal, «daqueles adoráveis seres, daquela casa confortável e daquela bela natureza». Na véspera da partida contempla, solitário, a maravilhosa quietude da noite em Brancanes e dela retém a última imagem: «tudo aí era calma, solidão e perfume refrescante das árvores e arbustos. As estrelas cintilavam, senti-me deprimido, com o coração cheio de tristeza...»

Regressa à «Quinta do Pinheiro», onde na sua ausência, a «natureza se havia alterado bastante», para partir pouco depois com Jorge e José O’Neill, para Aveiro e Coimbra.

Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes





Na passada semana foi aprovado pela Câmara Municipal de Setúbal a construção de uma unidade hoteleira e de um condomínio habitacional no Convento de Brancanes.
O Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes, dito mais simplesmente Convento de Brancanes, foi fundado em 1682 por Frei António das Chagas, para nele se formarem missionários na sequência do prestígio apostólico dos frades franciscanos conhecidos pelos ‘missionários do Varatojo.
Em 11 de Junho de 1761 ingressou como noviço no Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes Alexandre José da Silva, onde tomou os votos e professou a 13 de Junho de 1762, adoptando então o nome religioso por que é conhecido: frei Alexandre da Sagrada Família.
Após o terramoto de 1755, a Câmara de Setúbal instalou-se e passou a funcionar no Convento de Brancanes. Também aquando das invasões Francesas (princípio do século XIX), estes ocuparam o Convento para nele instalarem um hospital militar.
O Convento possuía uma importante biblioteca com livros raros que, na noite de 4 para 5 de Outubro de 1910, foram queimados na sequência de fogo posto pela população em fúria, danificando o edifício, tal como vieram também a fazer ao edifício dos Paços do Concelho.
Ao longo do Século XX, o edifício de rara beleza foi quartel militar e estabelecimento prisional depois de 1998 até 2007. Totalmente desactivado, veio então a ser vendido a uma entidade privada alegadamente detida pelo advogado António Lamego, antigo sócio de Alberto Costa, ministro da Justiça. Este foi o primeiro estabelecimento prisional vendido pelo Estado a privados no âmbito do programa de alienações lançado por Alberto Costa. Segundo o jornal “Público”, a propriedade, que custou ao Estado quatro milhões de euros, foi agora vendida à imobiliária Diraniproject III por 3,4 milhões de euros. Segundo o gabinete do ministro da Justiça, esta foi a melhor proposta para esta venda, com cerca de sete por cento acima do segundo classificado.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Naufragio Parte II



Archivo General de las Indias, Contratación 5109, fl. 2, a18.

Extract of the description of the documents found on the wrecksite of the Spanish nau Nuestra Señora del Rosario, in the Setubal coast, and to be delivered to the Real Casa de la Contratación de Sevilla.

Letter from Esteban de Ybarra, Lisbon, the 7th February 1590.


Transcription


Relación de los papeles que se Hallaron del naufragio De la nao Nuestra señora/

del Rossario, que dió al através en la costa De Setubal, los cuales todos van en recaudos En/

una caxa larga, grande, liada y bien acondiçionada, y otra Pequeña, cuadrada y enbreada/

Se An entregado A francisco Pablos, natural De Sevilla, Ariero para que las entregue/

A los señores Presidente y jueces de Real Casa de la Contratacion De Sevilla./

- Un emboltorio grande Para el santo officio de Sevilla/

- Un pliego embuelto en un ençerado para la Casa de la Contratacion/

- Algunas cartas y otros Papeles maltratados/

- Dos libros que Pareçen de la cargazon De la nao de fernando Correa, De yda/

y buelta a las Indias/

- Un quaderno que Dice: provisiones, mandatos y otros Recaudos Para Descargo/

de las quentas De la Real hacienda de esta Real Caxa de zacatecas, Procedida des/

de veinte de marzo de ochenta y ocho, hasta fin de diçiembre desde el dicho Año ba en diez/

y siete Pliegos y más éste qye son diez y ocho/

- Un libro en pliego, agujerado, que dice el titulo del traslado de las Almonedas de Su magestade que se/

hizo de los tributos del Año de 1587

- Otro que dice zacatecas, quintos, decimos y uno por ciento desde. 12. De março de 1588. hasta 21/

de diciembre del dicho Ano

- Otro que dice decimo 1588. años.

- Otro que dice traslado del libro Comun de la Real caxa de esta çiudad De Guadalajara/

desde 18. de Junio de 88. hasta 10. de Henero de 89.

- Otro que dice traslado de los pliegos de almonedas de los tributos del Ano de 1588.

- Otro que dice cacatecas .1588. quentas que se An tomado Al tesorero Alonso De sala/

zar baraona.

- Otro que dice traslado del libro general de la Real Hacienda de esta Real caxa/

de çacatecas, Proçedida desde 22. de março de .88. hasta fin de Diçiembre del/

dicho Ano. Va en .57. pliegos y más la cubierta.

- Otro que Dice traslado del libro del quinto de la plata que se trajo A quintar/

y quito en la casa de fundiçión desta çiudad De Guadalajara, desde .20. de/

Junio 1588. hasta 9 de enero de 1589.

- Otro que dice traslado del libro Común de esta Real caxa De Guadalajara.

- Otro que dice quentas que se tomaram Al tessorero Alonso De Salasar/

Baraona, de los marcos y Pesos de oro que entraron en la Real caxa de esta çiudad/

De Guadalajara desde 20 de Junio de 88. hasta 9. de enero de 89. [...]//

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Naufragi da nau Nuestra Señora del Rosario em Troia.


A relação das naus da armada de 1589 diz-nos que a Rosario era uma nau de 700 toneladas, de 30 canhões de bronze, com 150 soldados a bordo e tripulada por 44 marinheiros, 17 artilheiros, 30 grumetes e 10 pajens. À vinda da Terra Firme, integrada na armada do Almirante Álvaro Flores de Quiñones, a Rosário salvou a carga da nau Trinidad, de 300 toneladas, afundada ao largo da ilha Terceira. De pouco valeu aos espanhóis esta recuperação – a 7 de Dezembro de 1589, vinieron con tiempos violentos navegando hasta que al amanecer se hallaron junto al cabo de Espichel, ensenados cerca de la barra de Setubal con grande mar y viento O-N-O muy forzoso, y aunque reconocieron la barra y pretendieron entrar a Setubal, no lo pudieron hacer, antes les fue forzoso a la 1 de la tarde dar fondo a la costa y ensenada de Troia, 1 legua de la ermita. Luego que dieron fondo cortaron el arbol mayor y habiendo estado una hora sobre los cables, el tiempo iba reforzando y hubo opiniones de si repararaian o si daban en la costa, al fin resolvieron los mas teniendo por imposible el reparar, de cortar las amarras como lo hicieron, porque si daban a la costa de noche tenian por imposible salvarse ninguno. Cortados los cables alargaron el trinquete y dieron en la costa, al través en el arenal de Troia, donde de 230 personas que habia, se ahogaron mas de 120, entre ellos Juan de Goyaz, el contador Ondarza y el Correa y los demas salieron nadando y en 2 horas se hizo muy pequeños pedazos la nao.

No dia seguinte, os pescadores locais acharam muitas moedas na praia, totalizando quase 47 mil pesos. Até agora, o local do naufrágio ainda não foi localizado.

Setúbal Cidade à 149 Anos


19 de Abril de 1860 e a dada da elevação de Setúbal a Cidade, por despacho de D. Pedro V.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

DIA DO VITORIANO


Um boa iniciativa de um grupo de Vitorianos.

Bora la, não faltes!


http://www.diadovitoriano.com/

sexta-feira, 10 de abril de 2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

“Ah Pá, Sóce!!! Isto é que é o Polis ...?”



“Ah Pá, Sóce!!! Isto é que é o Polis do PCP!?...4.500.000,00 euros só para o Túnel do Vento”


Foi colocado na antiga rotunda dos golfinhos, um cartaz onde se pode ler a setubalense o comentário a cima transcrito.

O cartaz esta engraçado, agora penso que os autores do mesmo também tem algumas culpas no cartório.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O dialecto da minha terra.


Recebi um mail, que esta espectacular acerca do dialecto da minha terra.

"O prrometidê póste acêrrca do dialéte da nha terrã:

Labutes, a cidade onde ê nasci têm o dialéte más benito de todo o Perrtegal.
Temes uma data de bairres em que se fálã dialétes diferrentes. O nosse clube é o VItÓrria, que na é grrande, é enorrme! Ma depos o rai dos jegadorres ficãn todes à babuje e na há mei de marrcá gôles.
O pove vai tode verr os jogues e há uma clác que grrita "VAMES EMBORRA VITÓRRIA!", mas norrmalmente depois só batem do bombe trrês vezes.
Se a mei dum jogue porr acaze óvérr perrada, o prrimeirro a levarr é o arróles. Fica logo arrepêze de terr aberrte a bocã!
- AúA! Apá Sóce!

Em miúdes arranjãn-se amigues nas turrmas do cicle, a quemerr rabeçadinhes e rájás , a jegarr ó begalhe - (MARRALHAS!!) - e ó piã; a brrincárr co bichaninhas e bufas de lobe do Carrnaval. Com dezasseis anes arranjam uma bessiclete a motorr paírr pó liceu. Mais tarrde o pessoal quenhéce-se nos balhes das escolas e já na se deslarrga. As gajinhas começem a temárr a pírrela. Já depois dos trrinta, tudo com grrande cafetêrras e já cáse sen saguentarr denpé, a atrravesárr o Abusrrde e a verr as vistas, como se tivesse a andarr de ferribote, pa trrás e pá frrente, tipo fega, de volta das solteirronas à caça de bêbades. (ajuntãn-se a sorrte grrande e a terrminação)

Lá em Labutes temos inemigues morrtais: os cagalêtes de Sesimbra e os Carraméles de Palmela. São aqueles que dizem a todágente que mórram em Setúbal, cando verrdade são dos arrebáldes. Quando nos encontrrames faz semprre faíscã e há semprre alguém a atiçarr pándarr à mócáda - enhagórra!

Todá gente que lá vai pensa que só se come chôque frrite, carrapaus e sarrdinha.
Sabem o que é uma Esquilhã? Um charre do alte? umas irrozes? uns encharroques? Têm que irr Àalóta!

Apanha-se a caminéte nos Béles, que à noite tá chei de gajinhas enquelhidas de frrio áborrdarr os carres.
Os carres parrem e fiquem ali a empacharr, a discutirr quantes marréis são, porrque são fómícas. O pessoal tem mede de se espatarr, mas nunca desólhã e conduz com cuidade.

A nha terra é a má linda e não há em lade nenhum um ri azul igual ó meu! (e na me venhem com essa estórria de marrgem sul, que nós têmes o nosse prróprrio rio e nã prrecizames do rio de ninguéin parra nos lecalizarrmes!)"

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Setúbal TV

A partir da próxima quinta-feira, será possível ver e ouvir notícias desta cidade e região no sítio da Internet www.setubaltv.com. O dia 15 de Janeiro de 2009 passará a marcar o arranque deste novo projecto na área da comunicação multimédia setubalense: um canal de televisão online.

A toda a equipe da Setubaltv boa sorte.

256º Aniversario do Nascimento de Luísa Todi


No passado dia 9 de Janeiro fez 256 anos que nasceu em Setúbal, Luísa Rosa de Aguiar, conhecida como Luísa Todi, foi a meio-soprano portuguesa mais célebre de todos os tempos.
Nasceu em Setúbal, filha de um professor de música e instrumentista.
Luísa começou pelo teatro musicado aos catorze anos, no Teatro do Conde de Soure, no "Tartufo", de Molière. Com a sua irmã Cecília Rosa cantou em óperas cómicas.
Casou, em 1769, com o violinista napolitano e seu grande admirador, Francesco Saverio Todi que lhe deu o apelido e a fez aprender canto com o compositor David Perez, muito conceituado e mestre de capela da corte portuguesa. Ao marido deveu o aperfeiçoamento e a dimensão internacional que a levariam a todas as cortes da Europa, como cantora lírica.
Estreou-se em 1771 na corte portuguesa de D. Maria I e cantou no Porto entre 1772 e 1777, quando partiu para Londres para actuar no King's Theatre, sem particular aplauso por parte dos ingleses.
Em 1778 está em Paris e Versalhes. Em 1780 é aclamada em Turim, no Teatro Régio, tendo assinado um contrato como prima-dona, e em 1780 era já considerada pela crítica como uma das melhores vozes de sempre.
Brilhou na Áustria, na Alemanha e na Rússia. Veio a Portugal em 1783 para cantar na corte portuguesa. Regressou a Paris tendo ficado célebre o "duelo" com outra cantora famosa de nome Gertrudes Mara. A crítica e o público dividiu-se.
Convidada, parte com o marido e filhos para a corte de Catarina II da Rússia, em São Petersburgo (1784 a 1788), que a presenteou com jóias fabulosas. Em agradecimento o casal Todi escreveu para a imperatriz a opera «Pollinia». Berlim aplaudiu-a quando ia a caminho da Rússia e no regresso, Luísa Todi foi convidada por Frederico Guilherme II da Prússia, que lhe deu aposentos no palácio real, carruagem e os seus próprios cozinheiros, sem falar do principesco contrato, tendo ali permanecido de 1787 a 1789.
Diversas cidades alemãs a aplaudiram como Mainz, Hanôver e Bona, onde Beethoven a terá ouvido. Cantou ainda em Veneza, Génova, Pádua, Bérgamo e Turim.
De 1792 a 1796 encantou os madrilenos novamente.
Em 1793 regressa à corte de Lisboa por ocasião do baptizado de mais uma filha do herdeiro do trono, futuro D. João VI, casado com D. Carlota Joaquina. A cantora precisou de uma autorização especial para cantar em público, o que era então proibido às mulheres, numa corte pouco esclarecida como a de D. Maria I.
Luísa Todi tinha a capacidade invulgar de cantar com a maior perfeição e expressão em francês, inglês, italiano e alemão.
Em 1799 terminou a sua carreira em Nápoles.
Regressou a Portugal e cantou ainda no Porto, em 1801 onde enviuvou em 1803. Viveu naquela cidade, onde viria a perder as suas famosas jóias no trágico acidente da Ponte das Barcas, por ocasião da fuga das invasões francesas em Portugal, pelos exércitos de Napoleão, em 1809.
Viveu em Lisboa de 1811 até ao final da vida, consta que com algumas dificuldades e cega.
Setúbal não a esqueceu tendo-lhe erigido um monumento com a sua efígie e dado o seu nome a uma das principais artérias da cidade.
No livro de Anton Reicha, "Tratado da Melodia" Luísa Todi foi considerada "A cantora de todas as centúrias" melhor dizendo "Uma cantora para a eternidade"

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

FELIZ 2009


A todos os visitantes do Blog um FELIZ 2009.


2009 é o presente ano do calendário gregoriano, tendo sido iniciado em uma quinta-feira. Não sendo um ano bissexto, o ano terá 365 dias.


O ano foi designado como:


o
Ano Internacional da Astronomia, pela ONU
o
Ano Internacional das Fibras Naturais, pela ONU
o
Ano Internacional da Reconciliação, segundo a ONU
o ano do
boi, segundo o horóscopo chinês.
o
Ano Internacional da Aprendizagem sobre Direitos Humanos, segundo a ONU
o
Ano Internacional do Gorila, segundo a ONU



2009 noutros calendários


Shaka Samvat 1931-1932

Kali Yuga 5110-5111

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

Uma noite especial - Conto de Selma Lagerlöf


Naquela noite, um pobre saiu a implorar auxílio, batendo de porta em porta:
— Socorrei-me, boas almas! Em casa acaba de nascer uma criança e eu preciso de acender o lume para aquecer minha esposa e o pequenino. Dai-me um pouco de brasas, pelo amor de Deus!
Mas era alta noite. Toda a gente estava a dormir e ninguém lhe respondia. De repente, o homem avistou ao longe um clarão e, caminhando para lá, encontrou uma fogueira acesa. Em volta dela, um rebanho de ovelhas e carneiros brancos a dormir e um velho pastor a guardá-los, também mergulhado no sono.
Quando o homem que andava em busca de brasas chegou ao pé dos carneiros e das ovelhas, o soar dos seus passos acordou três canzarrões que dormiam aos pés do pastor. As largas bocas dos rafeiros abriram-se para ladrar mas nenhum som saiu delas. O homem notou que o pêlo dos ferozes animais se eriçava e que as suas presas aguçadas luziam ao clarão da fogueira. E todos três se atiraram assanhados contra ele. Um abocanhou-lhe uma perna, outro um braço e o terceiro segurou-lhe a garganta; contudo, as mandíbulas dos três animais ficaram inertes e o homem não foi mordido.
Quis ele então aproximar-se mais do fogo, para de lá tirar algumas brasas mas os carneiros eram tantos e estavam deitados tão juntinhos que não havia como passar por entre eles. Foi-lhe forçoso pisá-los para avançar; e nenhum deles acordou, nem se mexeu.
Quando o homem chegou ao pé da fogueira, o pastor que dormitava em sua enxerga de peles ergueu-se impetuoso e irado. Era criatura ruim e mal-encarada. Ao ver ali o desconhecido, agarrou, rápido, uma enorme pedra e arremessou-a contra ele. O perigoso seixo partiu directo ao homem; quando, porém, ia atingi-lo, desviou-se e foi espatifar-se no chão.
Então o homem, aproximando-se do pastor, falou-lhe assim:
— Compadece-te de mim, amigo, e deixa-me levar algumas brasas. Em minha casa acaba de nascer uma criança e eu preciso acender o lume, para agasalhar minha esposa e o pequenino.
O primeiro impulso do pastor foi o de uma recusa cruel; pensou, porém, nos cães que não tinham ladrado nem mordido, nos cordeiros que não tinham fugido, na pedra que não tinha querido ferir o homem. E sentiu um terror vago, indefinível.
— Leva o que quiseres. — respondeu secamente.
Ora, o lume estava agora quase a apagar-se. Nem ramos a arder, nem achas grandes. Só havia um monte de brasas miúdas, e o homem não tinha pá, nem qualquer coisa em que pudesse levá-las. Ao ver isto, o pastor repetiu:
— Podes apanhar as brasas que quiseres!
Mas, no íntimo, regozijava-se maldoso, certo de que o homem não podia levar um braseiro nas mãos nuas. Mas o outro abaixou-se, afastou as cinzas, tomou de uma porção de carvões incandescentes e pô-los numa aba da esfarrapada túnica. E as brasas não lhe queimaram as mãos, não lhe queimaram a véstia e ficaram a brilhar nelas como rútilos rubis. E o desconhecido partiu.
O pastor, vendo tudo isto, disse de si consigo:
— Mas, que noite é esta, em que os cães não mordem, os carneiros não se espantam a pedra não fere e as brasas não queimam?
Foi ao encalço do homem e interrogou-o:
— Que noite é esta, em que até as próprias coisas se mostram inclinadas ao amor e à piedade?
O homem respondeu:
— É a noite de Natal, meu amigo. Jesus, Salvador, acaba de nascer...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Os Anjos não Morrem



O TAS continua em cena com a peça “Os Anjos Não Morrem”, no Teatro do Bolso. Um espectáculo de canções de cabaré, inspirado no Kabarett alemão do principio do século XX e do pós guerra, com textos de Bertold Brecht e Paul Strand e música de Kurt Weill, tocada ao vivo. A 108ª produção do TAS tem encenação de Célia David e interpretação dos actores Duarte Victor, Isabel Ganilho, José Nobre, Maria Simões, Sónia Martins e do pianista Rui Serôdio. De qui a sab, às 21.30 e dom às 16 horas.

Feira de Artesanato de Setúbal


Amanhã e domingo realiza-se a Feira de Artesanato de Setúbal, certame destinado a contribuir para o desenvolvimento do artesanato local e regional enquanto actividade económica, cultural e social. No Jardim da Beira-Mar, das 10 às 18 horas.